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Vereador João Arraes condecora defensor dos excluídos

O vereador João Arraes (PSB) entregou, na tarde de ontem, em nome da Comissão Executiva da Câmara do Recife, a Medalha do Mérito José Mariano ao conselheiro Romeu da Fonte, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. O presidente da Câmara do Recife, Josenildo Sinesio (PT), foi quem comandou os trabalhos da solenidade.

Vereador João Arraes condecora defensor dos excluídos

Foto: Aguinaldo Leonel

Por Ana Camelo

Participaram da mesa Fernando Correia e Valdecir Pascoal, ambos conselheiros do TCE; Adalberto Farias, ex-conselheiro daquela Corte de Contas; o secretário estadual Roldão Joaquim e o deputado estadual Geraldo Coelho, além do magnífico Reitor da UPE, Carlos Fernando Calado.  

"Venho a esta tribuna saudar a vida de um homem que enche de orgulho os recifenses. Venho homenagear um humanista, um homem de múltiplas facetas e com um currículo onde avultam passagens de marcante vida pública. O Recife homenageia o conselheiro do TCE, o parlamentar, o advogado dos trabalhadores rurais, o defensor dos excluídos, o pensador, o mestre”, justificou João Arraes.

O parlamentar - representante da Comissão Executiva - ocupou a tribuna do plenário e pediu licença ao conselheiro homenageado para usar as palavras que foram proferidas por ele, quando foi nomeado presidente do Tribunal de Contas, em 2006. “Romeu da Fonte relembrou o que chamou de estações da sua vida”, disse o vereador, “relatando o período em que exerceu o cargo de secretário do Trabalho e Ação Social, no segundo governo do saudoso Miguel Arraes de Alencar. Romeu da Fonte afirmou, naquela ocasião: “Aprofundei com o governador a convicção de que as conquistas sociais são construídas de baixo para cima, e que a força política é decorrente da unidade de povo e de sua decisão de enfrentar politicamente os seus problemas. Carrego comigo essa valiosa lição”.

O vereador do PSB destacou o valor do pronunciamento de posse do conselheiro Romeu da Fonte e disse que jamais esqueceu  daquele discurso. Assegurou também que concorda com o pensamento do conselheiro, “porque esse ponto de vista reflete o compromisso dele com a organização social de nossa gente e, em especial, com os mais carentes”.

“O governador Miguel Arraes e o conselheiro Romeu da Fonte”, prosseguiu  João Arraes, “sempre estiveram voltados para a causa maior dos trabalhadores e para a luta dos mais necessitados”. Arraes destacou que foram os gestos de Romeu da Fonte, “suas atitudes, seus pensamentos, sua preocupação com a sociedade, sua luta em favor do povo, que o fizeram merecedor desta homenagem dos recifenses”.

João Arraes fez questão de tornar pública sua satisfação e de todos os vereadores da Casa de José Mariano, em homenagear o conselheiro do TCE. “Para mim é um privilégio poder expressar esse sentimento. Receba, Romeu, o abraço do povo recifense e guarde no coração a Medalha do Mérito”, finalizou João Arraes, encerrando seu pronunciamento.

 

Agradecimento

“Recebi com alegria a comunicação do amigo e vereador João Arraes, que me anunciou a concordância unânime desta Casa Legislativa, com proposição de sua autoria, concedendo-me esta honraria”. Com estas palavras, o conselheiro homenageado do Tribunal de Contas, Romeu da Fonte, iniciou seu agradecimento, diante de um plenário lotado de parentes, amigos, jornalistas, políticos, autoridades civis e militares. “Ao logo da vida, tenho sido agraciado por gestos de generosidade. Compareço hoje a esta Câmara profundamente emocionado, pois pensava já ter percorrido o caminho das grandes emoções ao longo desses meus 71 anos”.

Romeu da Fonte declarou emocionado que a medalha a ele concedida, inclusive pela força do seu patrono, José Mariano, fez com que ele puxasse a cortina do passado e remontasse à vida pública e profissional, “revendo, como num filme, as várias cenas que compõem a minha trajetória por aqui”. Ele prosseguiu afirmando que, se ontem estava no plenário da Câmara do Recife, “foi porque, ao longo da minha vida, recebi de outros companheiros o estímulo, o apoio e a participação dentro das lutas para prosseguir, na construção de novas manhãs”.

O conselheiro Romeu da Fonte explicou ainda que “a Medalha do Mérito José Mariano é um estímulo para não esquecer as lutas que ainda hoje constituem um desafio para todos aqueles capazes de se indignar e sonhar com  uma nova ordem social e política”.

Ele recordou a luta abolicionista de José Mariano, sua história de vida e de como se tornou importante líder. Elogiou o pesquisador e jornalista Jodeval Duarte, "porque ele costuma  dizer que a história de José Mariano pode ser melhor dimensionada a começar pelo fim, justificando a existência de José Mariano passou a ter vida própria, é um hiato a ser realçado na vida de outras pessoas e se projeta após sua morte".

Para finalizar, Romeu da Fonte pediu permissão a Deus “para que possa continuar lutando e tecendo com os companheiros novas manhãs mais justas, mais iguais e mais humanas para todos. Pois, enquanto houver injustiças, será tempo de lutar”, encerrou o conselheiro.

Vasto currículo

Romeu da Fonte é filho de Maria Djanira e Eurico Cardoso da Fonte. Tem três filhos: Eurico, Luciana e Cyro. O currículo de Romeu da Fonte, de acordo com as informações do vereador João Arraes, é vasto. Ele estudou no Seminário de Olinda, onde aprendeu a falar oito idiomas. Estudou Filosofia na Universidade Católica de Sorbone, em Paris. É advogado, formado pela Faculdade de Direito do Recife, turma de 1963. Foi professor do colégio Militar, bem como dos cursos Radier e União.

Durante 25 anos Romeu da Fonte fez parte da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) e de sindicatos ligados à agricultura. Em 1974, foi conferencista da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça.

Em 1987, recebeu convite do então governador Miguel Arraes de Alencar para assumir a Secretaria do Trabalho e Ação Social. O conselheiro consagrou-se deputado estadual, cargo que ocupou entre os anos de 1990 a 1994. Na Assembléia Legislativa, presidiu as Comissões da Agricultura e da Defesa da Cidadania. Foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas em 1997, onde dirigiu a Escola de Contas Professor Barreto Campelo e ocupou o cargo de Corregedor Geral.


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